
Quantos trajetos diários os holandeses fazem de bicicleta, e como esses volumes evoluem com a chegada de novos veículos nas ciclovias? Os dados recentes desenham um panorama em mudança, onde a dominância da bicicleta clássica coexiste com o aumento das bicicletas elétricas e dos fatbikes, criando tensões inéditas nas infraestruturas.
Bicicleta elétrica na Holanda: um mercado em crescimento constante
O mercado holandês de bicicletas elétricas oferece um ponto de entrada quantitativo para medir a dinâmica do ciclismo no país. Os dados compilados pela Mordor Intelligence permitem situar as ordens de grandeza.
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| Indicador | Valor |
|---|---|
| Tamanho do mercado de e-bikes (2025) | 1,71 bilhão de dólares |
| Tamanho do mercado de e-bikes (2026, previsão) | 1,76 bilhão de dólares |
| Tamanho do mercado de e-bikes (2031, previsão) | 2,02 bilhões de dólares |
| Taxa de crescimento anual composta (2026-2031) | 2,79 % |
| Concentração do mercado | Média |
Uma taxa de crescimento anual de 2,79 % pode parecer modesta em comparação com outros mercados europeus. Na verdade, traduz um mercado já maduro, onde a taxa de equipagem está entre as mais altas do mundo. O progresso se dá por renovação da frota e aumento de gama, não pela conquista de novos usuários.
Para aprofundar as estatísticas sobre o ciclismo na Holanda, os dados de frequência de uso complementam utilmente essa leitura econômica do mercado.
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Frequência de uso da bicicleta e distribuição por perfil demográfico

Em 2020, os holandeses com 6 anos ou mais usavam sua bicicleta em média 4,4 vezes por semana. Esse número, proveniente do CBS (escritório central de estatísticas holandês), coloca a bicicleta muito à frente de qualquer outro modo de transporte ativo no país.
A distribuição por idade revela diferenças notáveis. Os adolescentes de 12 a 17 anos apresentam a frequência mais alta, impulsionada pelos trajetos escolares. As mulheres holandesas pedalam cerca de 17 % a mais que os homens, com 2,4 bilhões de trajetos anuais contra 2,0 bilhões para os homens.
Cerca de 7 em cada 10 holandeses afirmam andar de bicicleta pelo menos uma vez por semana. A bicicleta representa cerca de um quarto de todos os deslocamentos diários, uma proporção sem equivalente na Europa.
Diferença entre homens e mulheres: uma especificidade holandesa
Na maioria dos países europeus, os homens dominam as estatísticas de prática ciclística. Na Holanda, a tendência se inverte. Essa particularidade está relacionada à qualidade da rede ciclística separada do tráfego automobilístico, que reduz a sensação de insegurança frequentemente citada como o principal obstáculo à prática feminina.
A super-representação feminina abrange tanto os trajetos utilitários (compras, acompanhamento de crianças) quanto os deslocamentos casa-trabalho. Não é um fenômeno recente, mas os dados mais recentes confirmam sua persistência.
Fatbikes e speed-pedelecs: a coabitação nas ciclovias holandesas
A Holanda está testando desde 2024 uma limitação de velocidade a 20 km/h em certas ciclovias. Essa medida, inédita para um país que construiu sua reputação sobre a liberdade do ciclista, responde a um problema concreto: a coabitação entre bicicletas clássicas, bicicletas com assistência elétrica, speed-pedelecs e fatbikes nas mesmas infraestruturas.
Os fatbikes apresentam um problema específico. Frequentemente utilizados por adolescentes, esses veículos são frequentemente desbloqueados e atingem velocidades incompatíveis com um uso compartilhado das ciclovias. O governo holandês está preparando em 2024-2025 um conjunto de medidas direcionadas:
- Introdução de uma idade mínima para conduzir um fatbike, visando reduzir os acidentes entre os mais jovens
- Obrigatoriedade do uso de capacete para certas categorias de usuários
- Possibilidade para os municípios de criar zonas sem fatbikes nos centros urbanos e áreas de pedestres muito movimentadas
- Fortalecimento dos controles de importação e comercialização para limitar os modelos ilegais ou facilmente desbloqueáveis
O aumento dos acidentes envolvendo fatbikes, especialmente entre adolescentes, é o principal gatilho para essas regulamentações. As autoridades holandesas reconhecem a necessidade de redefinir os usos das ciclovias para preservar a segurança em uma rede originalmente projetada para bicicletas que circulam entre 15 e 25 km/h.

Rede ciclística holandesa frente à diversificação dos veículos
A rede ciclística da Holanda continua sendo a mais densa e bem mantida da Europa. As pistas fisicamente separadas da estrada, os cruzamentos com prioridade para bicicletas e o estacionamento dedicado nas estações formam um ecossistema completo.
Essa infraestrutura foi dimensionada para um uso homogêneo: bicicletas urbanas circulando a uma velocidade moderada. A chegada de veículos com características muito diferentes (peso, velocidade, tamanho) impõe uma reflexão sobre a segmentação das vias.
Rumo a uma diferenciação das vias segundo a velocidade
Certain municipalities in the Netherlands are considering separating flows by speed category, based on the model already existing for speed pedelecs in some urban areas. The cost of such segmentation remains a barrier, but the increase in the number of e-bikes intensifies the pressure on road managers.
A Holanda se encontra em uma posição paradoxal: sua vantagem em infraestrutura ciclística a expõe em primeiro lugar aos problemas que outros países europeus enfrentarão nos próximos anos. A forma como arbitram entre liberdade de circulação e segurança coletiva nas ciclovias provavelmente servirá de referência para o restante do continente.
O número que melhor resume a situação atual continua sendo o do mercado de e-bikes: um crescimento anual de 2,79 % em um mercado já avaliado em mais de 1,7 bilhão de dólares. A questão não é mais saber se os holandeses pedalam, mas a que velocidade e em quais veículos o fazem.